sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A Mulher Sem Pecado

A Mulher sem Pecado foi a primeira peça teatral escrita por Nelson Rodrigues em 1941, a referida peça foi encenada pela primeira vez em 09 de dezembro de 1942 no teatro Carlos Gomes localizado na cidade do Rio de janeiro, essa montagem foi dirigida pelo diretor Rodolfo Mayer.
A peça conta a história de um empresário chamado Olegário que obcecado pela idéia da infidelidade de sua mulher Lídia, fingi-se de paralítico e impotente para testar a fidelidade de sua esposa. Dona Aninha, mãe de Olegário, é definida pelo autor como “doida pacífica” e fica o tempo todo em cena enrolando um paninho e sempre vestida de preto.
Umberto, o chofer da casa, é encarregado de vigiar dona Lídia, porém Olegário só permitiu que esse a vigiasse por conta de o próprio Umberto ter lhe dito que fora castrado quando criança.
Olegário faz com Lídia um jogo duplo tal como: ao mesmo tempo em que indica seu ideal de mulher sem pecado, apresenta-lhe um kit completo de como ser infiel. 
Inézia, a empregada da casa, sente-se aflita por causa do incessante interrogatório pelo qual Olegário a submete para obter informações sobre Lídia, aquela vive com medo que a patroa descubra que está sendo vigiada por ela.
Umberto pensa o contrário, vê nesse trabalho uma oportunidade de estar perto da patroa Lídia.
Lídia é uma personagem que sofre muito desde o início, esse sofrimento é tido por ela como injusto, pois a mesma nunca deu motivos para que o marido desconfiasse de sua fidelidade, essa personagem dá indícios de sua fidelidade logo no primeiro ato se mostrando sempre solícita para com o marido Olegário. Lídia também sofre pressão psicológica por parte do chofer Umberto.
Toda a trama acontece na sala da casa de Olegário e os conflitos, que dão sentidos e ação à peça, ocorrem de acordo com as atitudes de Olegário em relação à Lídia.
Por fim, quando Olegário convence-se da fidelidade de Lídia, esta, exausta pela obsessão do marido toma atitudes que podem dar uma reviravolta à trama.   
A Mulher sem Pecado, sem dúvida, é uma das obras mais importantes escritas por Nelson Rodrigues, e por conta de seu enredo com relações e sentimentos contemporâneos a atualidade e a essência do humano, essa, pode ser encenada em qualquer época e lugar.
É uma peça teatral extremamente realista, essa essência realista é constatada em vários momentos da peça, há conflitos domésticos que não perpassam para uma esfera “fantástica” do imaginário, os conflitos foram tecidos em ambiente doméstico e por isso a “realidade” do cenário de uma sala onde transitam e agem personagens podem ser encontradas na sociedade.
Assim como em outras peças, Nelson critica o casamento e o erotismo, marca de suas obras, também muito presente, nesta obra em questão, como, por exemplo, em algumas cenas de Umberto e Lídia.
Acredita-se que a vida pessoal do autor, recheada de tragédias e dramas familiares, tenha influenciado na forma de escrever suas peças, que discutem sentimentos essenciais da sociedade e da vida humana.

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