sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Intervenções e Neuroses.

Teatro é feito com criatividade, esforço e com certeza muito estudo.
Eu como ator estou habituado a montar espetáculos através de métodos tradicionais de montagem. A forma mais tradicional para meu grupo sempre foi a do grande encenador e teórico do teatro russo Constantin Stanislavski, sempre fizemos a leitura de mesa para traçar as intenções do texto, dos personagens e principalmente para extrair do texto o seu "super objetivo", que é o eixo central da problemática existencial do enredo, o conflito maior que desencadeiará os outros conflitos que nortearão a peça. 
Porém, nessa nova experimentação cênica, nós pulamos do princípio da memória emotiva (naturalismo) para a ação física, partimos para a experimentação em cena, para a vivencia das personagens dentro dos objetivos pré estabelecidos para sua existencia. O resultado foi realmente surpreendente, obtivemos nova "roupagem" para as ações das personagens, através da tentativa descobrimos novas formas para a composição das mesmas, tínhamos uma nova e eficiente ferramenta nas mãos, o improviso.
Claro que quando me refiro ao improviso estou falando do processo criativo com objetivos bem claros, há muitas pessoas que consideram o improviso como um simples remendo de falas que foram esquecidas, ou até mesmo como uma "metralhadora" de "cacos" que não levam a lugar nenhum, a não ser ao fastidioso monólogo de palavras vazias. 
O improviso que vem sendo utilizado em "Intervenções e Neuroses" pode nos proporcionar a liberdade de criação sem a amarração do texto, quando digo texto me refiro ao texto literal, escrito, porém há o texto no sentido de enredo da peça e isso vem sendo amplamente aproveitado nos improvisos para a criação do conflito do espetáculo. 
Com isso os atores puderam mostrar seu potencial para a criação do texto dramático sem falas, porém abundante em gestos e significados corporais, a linguagem falada restringe, às vezes, o potencial corporal do ator, quando esse tem a possibilidade de experimentar novas formas para se interpretar, consequentemente, enriquece o seu "vocabulário" corporal.
O formato de trabalho que erigiu o fazer teatral em "Intervenções e Neuroses" é um caminho de uma demasiada sugestividade e liberdade de criação coletiva, contudo é preciso ter cuidado, pois os caminhos sinuosos da criação podem gerar confusões e incertezas quanto aos significados e sentidos que a peça gerará. 
Todo esse processo pode ser acompanhado pela figura do diretor que costura todos esses "retalhos" criativos e forma o todo do espetáculo, evitando assim a dispersão dos materiais criados durante o processo de improvisação.
Hoje há muitos grupos de teatro que não definem claramente a figura do diretor, o que há são colaborações coletivas onde todos os integrantes do grupo trabalham coletivamente em prol do espetáculo.
   

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